A conspiração ferve no sangue do dragão. A fera, provocada, urge por ter de volta o que lhe fora roubado. Como conseguiram? E como uma troça a mais, uma vilania a mais, ainda lhe cravaram perto do coração aquele espeto que chamam de espada. Tão perto que se a retirasse, com sua força, retalharia o órgão e sangraria até a morte. Podia ficar com ela, não era grande coisa, não se esforçava e nem sentia aquilo. Mas quando se agitava, lembrando do roubo, o corpo tremia e a lâmina riscava a carne que renascia no seu peito.
A conspiração para sua vingança crescia. Ao mesmo tempo, ficava mais incerto se conseguiria alcançar seu objetivo. Na duração que se arrastava o plano, chegava a ele sua oferenda, uma isca para o ladrão. Não era ouro, nem jóia. Era uma pequena dama. Uma menina, linda, de pele clara e fios castanhos combinados aos negros, longos e assustados. A dama não era nobre de família, mas de porte nada lhe faltava.
Demandou que ela fosse levada ao seu covil, eles a deixaram, mas logo ela desaparecia. Escondida, decerto, mergulhada no tesouro precioso do dragão...
Encontrada, assustada, ela não se entregou facilmente, lutou contra o mesmo, a despeito de suas escamas serem rijas como metal, e tão brilhantes quanto.
Mesmo que lutasse bravamente, não era o bastante para derrotar tal besta. O dragão, paciente, aguardou que ela cansasse e caísse ao chão. Cercou o covil com o corpo em círculo, a esperar. Recuperada, a pequena dama queria fazer perguntas, "por que estava ali?", "quem era ele?", e nos profundos olhos escuros do monstro, ela era obrigada a adivinhar as respostas, pois ela não pronunciava palavra alguma.
O dragão então saiu para tratar de sua conspiração, e também da refeição, pois... Quando retornou, encontrou-a dormindo, dentro de sua mais preciosa arca.
A espada aliviou-se no peito do dragão, o cabo exposto balançou e intrigou a daminha, que acabava de acordar. Ela apontou, perguntando o que era aquilo. Ele respondeu. E acrescentou, que ela estava ali para remover aquela espada. A dama não sabia como.
"Talvez você não saiba. Mas talvez alguém que virá em seu resgate possa faze-lo. Até lá, não precisará ter medo, não lhe farei mal algum". E a menina voltou a dormir, e o dragão vigiou seu sono, refletindo no seu longo plano. Pela manhã do dia seguinte, o dragão havia deixado seu covil. Com sua espada encravada e tudo, ficando a pequena dama para trás. Ela adiante perguntou onde foi o dragão. Por que ele iria deixar o covil com os tesouros para trás? Eles disseram não saber, mas certamente ele voltaria.
[o/ queria que conhecesse a Silêncio. Gatinha que adotei. Daí veio a ideia de fazer um conto bocó a respeito >< ]
Nenhum comentário:
Postar um comentário