
Para um anjo que cai, um dragão que mergulha pela mesma fenda. Sua queda não se dá pela ferida, mas porque ele viu o brilho da pena negra que se fez ao céu, pelo caminho de ar até o abismo.
Ademais, ele tem uma dívida para cobrar, e não se fica em dívida com um dragão sem esperar que ele venha cobrar. É um princípio simples, se um ser valoriza o que possui, ele não abre mão disto facilmente. Mas pode ser mais que isto, pode ser que seja ruim demais perder aquele item tão precioso. Deixar aquela pena planar até cair longe da vista.
Trata-se de algo que nem ao mesmo se espera. Com tanto zelo, mesmo assim, perder. Eu não duvido do meu zelo. Posso ter, no entanto, falhado em ser superior à ameaça. Mesmo que digam que não é falha, eu não vejo senão como tal. Eu me esforcei e não consegui deter. É como... É como todas as outras vezes que lidei com as pessoas. Me esforço e não adianta nada. Jogadores não enxergam mais longe. Parentes não enxergam seus laços. Aqueles que têm medo não arrumam coragem. Não parece fazer diferença... Ser diferente.
Diferente, todavia, é uma palavra, apenas. Todos somos diferentes, todos temos inequiparável conteúdo. Mas há uma matéria comum, uma referência. Como a que diz "é difícil mesmo, deixa para lá". Ou "vá em frente, você consegue". É um tanto raro agir sem referência, mas eu prefiro assim, prefiro seguir as coisas conforme se elaboram. Embora eu preferisse evitar a situação presente, não posso cultivar remorso. Não estou arrependido. Apenas, perdido.
Minha memória não cria os fantasmas que passam pelas mentes dos outros, pelo que ouço deles. Ela apenas registra uns fatos que parecem importantes, pelo nome deles. O nome é importante... O nome que dei a uma resposta foi que havia uma nova estrela para me guiar. E esta estrela, ora, onde está agora? A resposta pareceu acalmar um receio que era até fundado, mas não foi mera arte do discurso. Foi uma busca por uma verdade, que desde então foi mantida. Há outras palavras, nomes... De antes disto.
Em semanas antes de ver a cor do negro, riscado de prata, circundante do pálido branco pingado de róseo e vermelho... Antes deste negro em particular, houve uma palavra sobre outras palavras. As minhas, no caso. Fora dito que elas eram sempre agradáveis. Ao mesmo tempo, na mesma semana, eu ouvi o oposto, de uma voz torpe de confusão, mas que me atordoara e calara. Minhas palavras, as mais vagas e que, no entanto, tanta diferença fazem quando se tornam raras, eram "desnecessárias". Eu não sou um apaixonado pelo meu discurso, mas eu não digo palavras em vão, são para as pessoas que vão ler ou ouvir, por isto tenho até um pouco de dificuldade de falar sobre algo importante em plena voz. São pensamentos demais que viram palavras. Mas isto é assunto para outro... Post? Pode ser.
Tornando a antes deste fato, quando suas sementes eram plantadas, havia a questão deste "negro desconhecido" ser cortejado apenas pelas poucas singularidades que exibia, sem um flerte aberto, apenas com a malícia que faz parte mais do meu humor que da minha "sedução". O que fazia por tal era deu-me o nome de doido.
Tornando a antes deste fato, quando suas sementes eram plantadas, havia a questão deste "negro desconhecido" ser cortejado apenas pelas poucas singularidades que exibia, sem um flerte aberto, apenas com a malícia que faz parte mais do meu humor que da minha "sedução". O que fazia por tal era deu-me o nome de doido.
Quanto à Morena, esta palavra que lhe dá seu nome, não recordo mais quando lha dei. Talvez seja porque sempre o mereceu, desde que a batizaram, não? Mesmo que tenha sido um engano. Para mim, não podia ser mais certeiro.
O doido "draco" pode estar meio atrasado, pode ser "tarde demais", mas espera que isto ajude. Era para ter chegado antes de uma decisão de atitude, mas eu continuo a discordar e quero demonstrá-lo. Enfim, boa noite, Morena, as palavras me fazem lembrar de você.
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